Os pesquisadores avaliaram a gravidade dos sintomas usando uma escala padrão que variava de 0 a 40 pontos. Em seguida, designaram aleatoriamente os participantes para um de dois grupos. Um grupo recebeu uma dose oral de psilocibina de 0,25 miligramas por quilograma de peso corporal. O outro recebeu niacina, também chamada de vitamina B3, que funcionou como placebo.
A dose de psilocibina foi suficiente para desencadear uma viagem psicodélica, uma experiência intensa que geralmente altera a percepção, o pensamento e as emoções. “É bastante intensa, embora varie de pessoa para pessoa”, explica Pittenger.
Os resultados vieram muito rapidamente. Apenas 48 horas depois, os 14 participantes que tomaram psilocibina reduziram sua pontuação média de sintomas em 9,76 pontos. Em contraste, os que tomaram niacina apresentaram pouca mudança.
Para Alex Kwan, da Universidade de Cornell, a velocidade do efeito é surpreendente. “A velocidade e a durabilidade da melhora observada após uma única dose de psilocibina são notáveis”, diz ele.
Uma semana depois, cerca de 70 % dos que receberam psilocibina ainda apresentavam uma redução de sintomas de cerca de 35 %. Os benefícios persistiram também na avaliação de 12 semanas.
O neuropsicofarmacologista David Nutt, do Imperial College London, acredita que o efeito pode ser devido a uma profunda mudança nos padrões mentais. “Se dermos a você uma jornada, acreditamos que podemos quebrar os ciclos de pensamento e comportamento obsessivos”, explica ele. “O objetivo da terapia de TOC é ensinar as pessoas a se comportarem de forma diferente.
Os efeitos da psilocibina no cérebro
Os cientistas ainda não sabem exatamente como a psilocibina atua no cérebro. Uma possibilidade é que ela aumente a plasticidade cerebral, a capacidade do cérebro de reorganizar suas conexões. Com maior flexibilidade neural, os pensamentos obsessivos perdem sua força.
Outra hipótese aponta para a rede neural padrão, conhecida como modo padrão de rede. Essa rede cerebral está envolvida na ruminação mental e na percepção do eu. De acordo com Pittenger, a psilocibina pode recalibrar sua relação com outras regiões cerebrais.
Alguns estudos também sugerem que o composto pode modificar as conexões neurais e reduzir a inflamação cerebral. Esses efeitos combinados podem explicar a melhora observada.
Os cientistas agora estão solicitando estudos maiores para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento. Eles também querem determinar a dose que funciona melhor e quais pacientes podem se beneficiar mais.
Se os resultados forem confirmados, uma única experiência psicodélica controlada poderá se tornar uma ferramenta terapêutica inesperada para um dos transtornos mentais mais persistentes.







