{"id":307,"date":"2026-01-18T20:04:04","date_gmt":"2026-01-18T20:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ayahuascanews.org\/?p=307"},"modified":"2026-01-18T20:04:06","modified_gmt":"2026-01-18T20:04:06","slug":"doctores-responden-medica-y-cientificamente-a-las-principales-preguntas-sobre-la-ayahuasca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayahuascanews.org\/pt\/doctores-responden-medica-y-cientificamente-a-las-principales-preguntas-sobre-la-ayahuasca\/","title":{"rendered":"OS M\u00c9DICOS RESPONDEM M\u00c9DICA E CIENTIFICAMENTE \u00c0S PRINCIPAIS PERGUNTAS SOBRE A AYAHUASCA"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">-A AYAHUASCA \u00c9 T\u00d3XICA?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abO fato de a ayahuasca ser uma subst\u00e2ncia psicoativa n\u00e3o implica que as doses usualmente ingeridas nos rituais sejam doses que produzam toxicidade org\u00e2nica ou cerebral. Nesse sentido, e de acordo com a ci\u00eancia toxicol\u00f3gica, a dose m\u00ednima psicoativa n\u00e3o deve ser equiparada \u00e0 dose t\u00f3xica, se entendermos toxicidade como a capacidade de uma subst\u00e2ncia produzir um efeito nocivo por meio de sua a\u00e7\u00e3o qu\u00edmica quando entra em contato com o organismo (Ba\u00f1os e Farr\u00e9, 2002). Com rela\u00e7\u00e3o aos efeitos da ayahuasca no organismo, os estudos<br>Estudos com volunt\u00e1rios, tanto em condi\u00e7\u00f5es laboratoriais (Riba, 2003; dos Santos, 2011) quanto em contextos naturais (McKenna, 2004), mostram que a ayahuasca \u00e9 fisiologicamente bastante segura. O impacto da ayahuasca no sistema cardiovascular \u00e9 m\u00ednimo, produzindo ligeiros aumentos na press\u00e3o arterial e na frequ\u00eancia card\u00edaca sem implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas.<br>frequ\u00eancia card\u00edaca (Riba et al., 2001, 2003; dos Santos et al., 2012).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m foi demonstrado que<br>aumenta transitoriamente as concentra\u00e7\u00f5es dos horm\u00f4nios prolactina, cortisol e FSH.<br>crescimento (dos Santos et al., 2011, 2012) e, em termos do sistema imunol\u00f3gico, diminui de maneira dependente do tempo as subpopula\u00e7\u00f5es de linf\u00f3citos CD4 e CD3 e aumenta as subpopula\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas CD4 e CD3 (dos Santos et al., 2011, 2012).<br>NK ou natural killers (dos Santos et al., 2011, 2012). Essas altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas transit\u00f3rias n\u00e3o parecem desencadear efeitos negativos: em estudos nos quais foram realizados exames de sangue gerais antes e depois da participa\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios no<br>n\u00e3o foram encontradas altera\u00e7\u00f5es de qualquer tipo nas fun\u00e7\u00f5es hematol\u00f3gicas em estudos cl\u00ednicos.<br>e testes bioqu\u00edmicos (Riba et al., 2001; Riba e Barbanoj, 2005). Em um estudo recente no qual a fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica foi avaliada em usu\u00e1rios regulares de ayahuasca (duas vezes por m\u00eas ou mais), a fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica da droga foi avaliada,<br>por pelo menos um ano) n\u00e3o foram encontradas altera\u00e7\u00f5es na fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica ou nos marcadores hep\u00e1ticos.<br>(Mello et al., 2019).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A AYAHUASCA \u00c9 VICIANTE?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abCom rela\u00e7\u00e3o ao seu potencial de abuso, estudos de neuroimagem com volunt\u00e1rios saud\u00e1veis mostraram que a ayahuasca n\u00e3o ativa \u00e1reas cerebrais relacionadas aos sistemas de recompensa do c\u00e9rebro, que s\u00e3o os centros cerebrais que ativam drogas com potencial de abuso.<br>abuso, como metanfetamina, coca\u00edna ou \u00e1lcool. Al\u00e9m disso, nesse sentido, as evid\u00eancias existentes sugerem que a ayahuasca pode representar uma ferramenta \u00fatil no tratamento de v\u00edcios (Bouso e Riba, 2014).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ISSO PODE LEVAR A UMA OVERDOSE?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abTamb\u00e9m foi demonstrado em ensaios cl\u00ednicos que a ayahuasca n\u00e3o produz toler\u00e2ncia (dos Santos et al., 2012), portanto n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio aumentar as doses para alcan\u00e7ar os efeitos desejados, o que, somado aos efeitos em\u00e9ticos (v\u00f4mitos), protege os usu\u00e1rios de overdose\u00bb.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>EXISTEM CL\u00cdNICAS DE DESINTOXICA\u00c7\u00c3O E TRATAMENTO DE DEPEND\u00caNCIA QUE USAM A AYAHUASCA COMO MEDICAMENTO?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abDe fato, h\u00e1 v\u00e1rias cl\u00ednicas na Am\u00e9rica do Sul especializadas no tratamento da depend\u00eancia de drogas usando ayahuasca, sendo a mais conhecida a Takiwasi, no Peru (Mabit, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo recente em pacientes com depress\u00e3o maior descobriu que a ayahuasca ativa uma \u00e1rea cerebral envolvida em mecanismos de recompensa chamada n\u00facleo accumbens (Sanches et al., 2016), um efeito que, de acordo com os autores do estudo, \u00e9 exclusivo de pacientes com depress\u00e3o e ajuda a explicar o efeito antidepressivo da ayahuasca em pacientes com depress\u00e3o maior. Um dos primeiros estudos em humanos mostrou quantos participantes das sess\u00f5es rituais de ayahuasca da Uni\u00e3o da Igreja Vegetal (UDV) haviam abandonado a<br>uso de \u00e1lcool e outras drogas, como a coca\u00edna, como consequ\u00eancia de sua participa\u00e7\u00e3o em rituais (Grob et al., 1996). Esse achado foi constatado novamente em estudos posteriores.<br>com membros da igreja do Santo Daime em Oregon, EUA (Halpern et al., 2008). Um estudo com um tamanho de amostra muito grande, no qual 127 usu\u00e1rios de ayahuasca em contextos tradicionais foram comparados com 115 controles, n\u00e3o encontrou nenhuma evid\u00eancia de crit\u00e9rios de depend\u00eancia de acordo com indicadores biopsicossociais avaliados com o ASI (Ayahuasca Severity Index) e nenhuma evid\u00eancia de depend\u00eancia de acordo com a escala ASI (Ayahuasca Severity Index) (Halpern et al., 2008).<br>a escala padr\u00e3o para avaliar a depend\u00eancia de drogas), nem constatou que o uso cont\u00ednuo da ayahuasca estava associado aos efeitos biopsicossociais prejudiciais causados pelas drogas.<br>drogas de abuso. Al\u00e9m disso, os grupos de usu\u00e1rios de ayahuasca consumiram menos \u00e1lcool e outras drogas do que os indiv\u00edduos de controle, e essas pontua\u00e7\u00f5es mais altas nos indicadores biopsicossociais<br>Os resultados foram replicados um ano depois, confirmando a consist\u00eancia dos resultados (F\u00e1bregas et al., 2010).<br>Nos \u00faltimos anos, v\u00e1rios estudos, tanto biom\u00e9dicos quanto etnogr\u00e1ficos, foram publicados avaliando as propriedades antidependentes da ayahuasca. Um estudo avaliou a efic\u00e1cia de um<br>programa no Peru que utiliza a medicina tradicional amaz\u00f4nica, incluindo a ayahuasca, com pacientes dependentes de v\u00e1rias subst\u00e2ncias (principalmente cannabis, \u00e1lcool e coca\u00edna), e<br>constatou uma redu\u00e7\u00e3o significativa nos indicadores de gravidade da depend\u00eancia e um aumento na qualidade de vida (Berlowitz et al., 2019). Outro estudo constatou uma incid\u00eancia menor<br>de transtornos relacionados ao abuso de \u00e1lcool e tabaco entre usu\u00e1rios religiosos de ayahuasca em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o em geral (Barbosa et al., 2018). Em uma pesquisa internacional de<br>Em uma pesquisa com 96.901 usu\u00e1rios de diferentes drogas, os usu\u00e1rios de ayahuasca (500 pessoas) consumiram menos \u00e1lcool do que os usu\u00e1rios de outros psicod\u00e9licos (como LSD ou<br>psilocibina) e relatou a melhor qualidade de vida de toda a amostra (Lawn et al., 2017). Outros estudos recentes mostraram evid\u00eancias de efic\u00e1cia no tratamento da depend\u00eancia de drogas em<br>diferentes popula\u00e7\u00f5es culturais e ambientes de tratamento (Fernandez et al., 2015; Loizaga Velder e Verres, 2014; Thomas et al., 2013). Dois estudos etnogr\u00e1ficos recentes com foco em<br>estudam as propriedades antidependentes da ayahuasca tamb\u00e9m encontraram processos de recupera\u00e7\u00e3o em indiv\u00edduos como consequ\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o em cerim\u00f4nias de ayahuasca (Talin e Sanabria, 2017; Apud e Roman\u00ed, 2017)\u00bb.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A AYAHUASCA PODE SER USADA PARA PREVENIR O DESENVOLVIMENTO DE V\u00cdCIOS NA VIDA ADULTA?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abUm estudo realizado com adolescentes pertencentes \u00e0 igreja ayahuasqueira brasileira Uni\u00e3o do Vegetal (UDV) tamb\u00e9m constatou que eles consumiam significativamente menos \u00e1lcool do que os indiv\u00edduos de controle, concluindo que a ayahuasca, longe de produzir abuso ou depend\u00eancia, para esses adolescentes constitu\u00eda um fator de prote\u00e7\u00e3o contra o consumo de \u00e1lcool.<br>(Doering-Silveira et al., 2005a)\u00bb.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>POR QUE AS EXPERI\u00caNCIAS COM A AYAHUASCA PODEM OTIMIZAR NOSSA SA\u00daDE MENTAL? A AYAHUASCA PODE SER USADA COMO UMA FERRAMENTA DE AUTOCUIDADO, COMO OS ESPORTES OU A MEDITA\u00c7\u00c3O?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abAs propriedades terap\u00eauticas da ayahuasca provavelmente se devem a uma combina\u00e7\u00e3o de seu efeito psicoativo - e as experi\u00eancias subjetivas associadas - com suas a\u00e7\u00f5es farmacol\u00f3gicas. Ela ativa \u00e1reas cerebrais relacionadas \u00e0 mem\u00f3ria de eventos.<br>(chamada mem\u00f3ria epis\u00f3dica) e com a consci\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es internas (Riba et al., 2006; de Araujo et al., 2011). Do ponto de vista psicol\u00f3gico, v\u00e1rios estudos recentes mostraram que os potenciais psicoterap\u00eauticos da ayahuasca podem estar relacionados \u00e0 sua capacidade de aumentar o que, na psicologia cl\u00ednica, \u00e9 chamado de \u00abdescentraliza\u00e7\u00e3o\u00bb (Franquesa et al., 2018; Soler et al., 2016), ou a capacidade de observar pensamentos e emo\u00e7\u00f5es como eventos transit\u00f3rios da mente sem ficar preso a eles,<br>al\u00e9m de aprimorar as habilidades de aten\u00e7\u00e3o plena e a flexibilidade cognitiva (Murphy-Beiner e Soar,<br>2020; Sampedro et al., 2017; Soler et al., 2018). Esses processos s\u00e3o considerados importantes na psicologia cl\u00ednica, pois se acredita que sejam respons\u00e1veis por - e, portanto, explicam - a<br>resultados psicoterap\u00eauticos.<br>Se a ayahuasca n\u00e3o tem potencial recreativo ou de abuso, deve haver outras raz\u00f5es pelas quais as pessoas a usam. Estudos de personalidade realizados com popula\u00e7\u00f5es<br>N\u00e3o se constatou que os usu\u00e1rios brasileiros e espanh\u00f3is de ayahuasca obtivessem uma pontua\u00e7\u00e3o mais alta em uma escala conhecida como \u00abbusca por novidades\u00bb (Grob et al., 1996);<br>Bouso et al., 2012; Bouso et al., 2015), que \u00e9 um tra\u00e7o de personalidade no qual os usu\u00e1rios de drogas tendem a obter pontua\u00e7\u00e3o alta. No entanto, os usu\u00e1rios t\u00eam uma pontua\u00e7\u00e3o mais alta nesse tra\u00e7o do que os usu\u00e1rios de drogas.<br>mais elevados do que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o usu\u00e1ria em outro tra\u00e7o de personalidade chamado \u00abautotranscend\u00eancia\u00bb (Bouso et al., 2012; Bouso et al., 2015), que \u00e9 a tend\u00eancia de abrigar uma<br>conceito transcendente de vida, n\u00e3o necessariamente ligado a qualquer afilia\u00e7\u00e3o religiosa. Esses estudos de personalidade descobriram, em geral, que as pessoas que usam<br>Os usu\u00e1rios de ayahuasca o fazem por raz\u00f5es que t\u00eam a ver com o desenvolvimento pessoal, a busca do bem-estar psicol\u00f3gico e uma melhor adapta\u00e7\u00e3o ao mundo. De fato, esses estudos constataram que se trata de pessoas perfeitamente adaptadas e integradas em seu ambiente social,<br>e familiares, que usam a ayahuasca como ferramenta para o aprimoramento pessoal e espiritual, obtendo resultados semelhantes aos das pessoas que praticam medita\u00e7\u00e3o ou outras t\u00e9cnicas espirituais.<br>desenvolvimento e bem-estar pessoal (Soler et al., 2016; Palhano-Fontes, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">-QUAIS S\u00c3O OS TRANSTORNOS PSICOL\u00d3GICOS?<br>E DOEN\u00c7AS MENTAIS<br>PODE AJUDAR A CURAR?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abExistem alguns estudos que exploraram o potencial psicoterap\u00eautico da ayahuasca em popula\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. A evid\u00eancia mais forte \u00e9 mostrada em pacientes com depress\u00e3o maior.<br>resistentes ao tratamento. Um estudo recente relatou os efeitos antidepressivos da ayahuasca em pacientes com depress\u00e3o maior, efeitos que foram mantidos por 21 dias ap\u00f3s a administra\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica dose (Os\u00f3rio et al., 2015; Sanches et al., 2016). Esse efeito terap\u00eautico foi associado a mudan\u00e7as cerebrais medidas com t\u00e9cnicas de neuroimagem, fornecendo assim uma demonstra\u00e7\u00e3o objetiva da mudan\u00e7a terap\u00eautica (Sanches et al., 2016). Outro<br>O estudo mais recente confirmou o efeito antidepressivo de uma dose \u00fanica de ayahuasca em um ensaio cl\u00ednico controlado por placebo (Palhano-Fontes et al., 2017). Esse ensaio cl\u00ednico tamb\u00e9m encontrou uma redu\u00e7\u00e3o na idea\u00e7\u00e3o suicida no grupo da ayahuasca em compara\u00e7\u00e3o com o grupo placebo (Zeifman et al., 2019), um resultado que tamb\u00e9m foi encontrado em outro estudo aberto (Zeifman et al., 2020). O cortisol tamb\u00e9m foi avaliado - o que<br>pode ser considerado um marcador biol\u00f3gico para a redu\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o e da idea\u00e7\u00e3o suicida, apresentando n\u00edveis semelhantes aos de indiv\u00edduos normais ap\u00f3s o tratamento com ayahuasca.<br>(Galv\u00e3o et al., 2018). A ayahuasca tamb\u00e9m aumenta os n\u00edveis de fatores neurotr\u00f3ficos (principalmente o fator neurotr\u00f3fico derivado do c\u00e9rebro, ou BDNF), que est\u00e3o associados a<br>neuroplasticidade e efeitos antidepressivos, entre outros (de Almeida et al., 2019).<br>O potencial psicoterap\u00eautico da ayahuasca para o tratamento de outros transtornos psicol\u00f3gicos tamb\u00e9m foi investigado. Dois estudos mostraram resultados consistentemente positivos em<br>para avaliar o uso da ayahuasca na terapia do luto (Gonz\u00e1lez et al., 2019, 2020). Al\u00e9m disso, um deles mostrou que esses efeitos ben\u00e9ficos foram mantidos ap\u00f3s um ano de acompanhamento.<br>(Gonz\u00e1lez et al., 2020). Resultados positivos tamb\u00e9m foram encontrados em dois estudos preliminares em pacientes com transtornos alimentares (Lafrance et al., 2017; Renelli et al., 2018).<br>Embora as pesquisas sobre os efeitos terap\u00eauticos da ayahuasca ainda estejam em seus prim\u00f3rdios, v\u00e1rios autores prop\u00f5em que essa mistura tamb\u00e9m pode ser \u00fatil<br>para o tratamento de transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico (TEPT) (Nielson e Megler, 2013) e transtornos de personalidade (Dom\u00ednguez-Clav\u00e9 et al., 2019), bem como para o tratamento de<br>comportamento antissocial, entre outros transtornos t\u00edpicos de nossa civiliza\u00e7\u00e3o (Frecksa et al., 2016), incluindo a melhora da sintomatologia em alguns transtornos f\u00edsicos graves, como<br>esclerose lateral amiotr\u00f3fica (ELA) (ALSUntangled Group, 2017).\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00c1 ALGUM EFEITO COLATERAL?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal efeito colateral induzido pela ayahuasca \u00e9 a n\u00e1usea e o v\u00f4mito (Callaway et al., 1999; Riba et al., 2001; Riba, 2003; Riba e Barbanoj, 2005; dos Santos, 2011; dos Santos et al., 2012).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A a\u00e7\u00e3o da ayahuasca sobre o v\u00f4mito se deve, em primeiro lugar, \u00e0s propriedades organol\u00e9pticas espec\u00edficas da bebida e, em segundo lugar, \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o serotonin\u00e9rgica (Callaway et al,<br>1999). De qualquer forma, essa n\u00e3o \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o adversa considerada significativa pelos participantes das sess\u00f5es, mas \u00e9 vista como um efeito em potencial.<br>m\u00e9todo terap\u00eautico chamado \u00abla purga\u00bb nas medicinas amaz\u00f4nicas tradicionais (Luna, 1986, 2011), ou \u00ablimpeza\u00bb no contexto das religi\u00f5es ayahuasqueiras brasileiras (Labate, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Purga\u00ab, em contextos de uso tradicional, \u00e9 entendida como uma limpeza f\u00edsica do corpo.<br>e a resolu\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de conflitos internos que podem afligir o participante e \u00e9 considerada uma parte essencial dos benef\u00edcios terap\u00eauticos (Luna, 1986, 2011). Os efeitos em\u00e9ticos da ayahuasca, de fato, s\u00e3o uma das principais raz\u00f5es pelas quais a ayahuasca n\u00e3o tem uso recreativo em potencial.<br>Por fim, dois estudos publicados recentemente avaliaram o perfil de efeitos adversos da ayahuasca em ambientes naturalistas. Em primeiro lugar, Durante et al. (2020) relataram que<br>os efeitos adversos mais frequentes em uma amostra de 614 pessoas consistiram em sintomas gastrointestinais, conforme observado acima. No entanto, apesar de serem considerados eventos adversos do ponto de vista m\u00e9dico, esses efeitos s\u00e3o, na verdade, desejados pelos usu\u00e1rios, que consideram esse processo como uma purga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Surpreendentemente, o uso de medicamentos prescritos ou o hist\u00f3rico de diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico n\u00e3o foi associado a mais eventos adversos. Houve tamb\u00e9m um<br>maior frequ\u00eancia de efeitos adversos, como taquicardia, tontura ou tremores na subamostra (de 50 pessoas) com diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico (principalmente,<br>depress\u00e3o e ansiedade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo publicado por Gomez-Sousa et al. (2021), que se concentrou em rea\u00e7\u00f5es adversas agudas registradas em um ambiente cerimonial e em pessoas que tomaram<br>ayahuasca pela primeira vez, ele encontrou um total de sete casos em uma amostra de quarenta pessoas (17,5%). Quatro dos sete indiv\u00edduos preencheram os crit\u00e9rios para diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico antes da<br>para recorrer ao uso da ayahuasca. Os autores destacaram o fato de que, mesmo ap\u00f3s sofrerem eventos adversos agudos, os indiv\u00edduos n\u00e3o desenvolveram sintomas psiqui\u00e1tricos e n\u00e3o desenvolveram nenhum outro sintoma.<br>sofreram consequ\u00eancias de longo prazo. Pelo contr\u00e1rio, foram registrados efeitos positivos, como a redu\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios para o diagn\u00f3stico de transtornos psiqui\u00e1tricos (G\u00f3mez-Sousa et al,<br>2021). Tamb\u00e9m foram realizados estudos de efeitos de m\u00e9dio e longo prazo nos quais n\u00e3o foram encontradas altera\u00e7\u00f5es neuropsicol\u00f3gicas ou psicopatol\u00f3gicas resultantes do uso cont\u00ednuo da ayahuasca. Um estudo prospectivo com usu\u00e1rios iniciantes encontrou melhorias nas medidas de sa\u00fade mental e redu\u00e7\u00e3o da dor f\u00edsica em seis meses.<br>ap\u00f3s iniciar o consumo ritual da ayahuasca (Barbosa et al., 2005, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros estudos descobriram taxas mais baixas de psicopatologia e maior bem-estar psicossocial em usu\u00e1rios.<br>(Bouso et al., 2012; Halpern et al., 2008) e tr\u00eas outros estudos n\u00e3o encontraram defici\u00eancias neuropsicol\u00f3gicas, conforme avaliadas por testes de desempenho cognitivo (Bouso et al., 2012; Halpern et al., 2008) e tr\u00eas outros estudos n\u00e3o encontraram defici\u00eancias neuropsicol\u00f3gicas, conforme avaliadas por testes de desempenho cognitivo (Bouso et al., 2012).<br>em usu\u00e1rios regulares de ayahuasca (Grob et al., 1996; Barbosa et al., 2016; Bouso et al., 2012; Bouso et al., 2015). Um desses estudos avaliou 127 usu\u00e1rios de ayahuasca com hist\u00f3rico de<br>de consumo por um m\u00ednimo de quinze anos e os comparou com 115 controles, constatando uma melhora<br>escores em testes psicopatol\u00f3gicos e em alguns dos testes neuropsicol\u00f3gicos,<br>resultados que foram consistentes em cada uma das duas avalia\u00e7\u00f5es, separadas por um ano, a que os sujeitos foram submetidos (Bouso et al., 2012). Estudos com adolescentes brasileiros<br>membros da igreja UDV tamb\u00e9m n\u00e3o encontraram altera\u00e7\u00f5es neuropsicol\u00f3gicas ou neuropsicol\u00f3gicas.<br>associados ao consumo ritual da ayahuasca (da Silveira et al., 2005; Doering-Silveira et al., 2005b).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, um estudo recente de neuroimagem com usu\u00e1rios espanh\u00f3is de ayahuasca pertencentes \u00e0 igreja do Santo Daime, com um consumo m\u00ednimo de ayahuasca de 50 vezes nos \u00faltimos dois anos, encontrou diferen\u00e7as na espessura do c\u00f3rtex cerebral do<br>usu\u00e1rios de ayahuasca em compara\u00e7\u00e3o com os controles. Essas diferen\u00e7as na espessura cortical foram correlacionadas apenas com a vari\u00e1vel de personalidade denominada \u00abautotranscend\u00eancia\u00bb, indicando que \u00e9<br>\u00c9 poss\u00edvel que a ayahuasca produza mudan\u00e7as no c\u00e9rebro que se manifestam em uma maior inclina\u00e7\u00e3o espiritual (Bouso et al., 2015). Os usu\u00e1rios de ayahuasca deste estudo<br>tiveram a mesma pontua\u00e7\u00e3o que seus controles n\u00e3o usu\u00e1rios em testes de desempenho psicopatol\u00f3gico e neuropsicol\u00f3gico, o que prova que a mudan\u00e7a estrutural no c\u00e9rebro como resultado da<br>O efeito prov\u00e1vel do consumo ritual da ayahuasca n\u00e3o est\u00e1 relacionado \u00e0 toxicidade cerebral, mas se traduz em mudan\u00e7as de personalidade que podem estar simplesmente refletindo um modo de ser.<br>\u00abdiferente\u00bb, mas n\u00e3o patol\u00f3gico, como tamb\u00e9m foi demonstrado por v\u00e1rios estudos citados anteriormente (Grob et al., 1996; Barbosa et al., 2009, 2016; Bouso et al., 2012; da Silveira et al.<br>et al., 2005; Doering-Silveira et al., 2005b; Halpern et al., 2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As modifica\u00e7\u00f5es cerebrais s\u00e3o<br>O mesmo ocorre ap\u00f3s o treinamento e a pr\u00e1tica em muitas atividades, como aprender m\u00fasica, um fen\u00f4meno normal que ocorre em nossos c\u00e9rebros continuamente ao longo de nossas vidas.<br>ao longo da vida e \u00e9 conhecida como plasticidade cerebral.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>EXISTEM PESSOAS QUE \u00abFICARAM NA VIAGEM\u00bb, \u00bbTOCADAS\u00bb OU ENLOUQUECERAM PARA SEMPRE DEPOIS DE UMA DOSE? OU \"TOCADAS\" OU ENLOUQUECIDAS PARA SEMPRE AP\u00d3S UMA INJE\u00c7\u00c3O?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abOs surtos psic\u00f3ticos \u00e0s vezes funcionam como um mecanismo de defesa contra uma ang\u00fastia real que a ayahuasca pode lhe trazer, por exemplo, de um epis\u00f3dio de inf\u00e2ncia. Eles s\u00e3o incomuns, mas n\u00e3o se devem ao fato de a ayahuasca ter um componente psicossistog\u00eanico, mas como parte de um mecanismo de fuga da psique que precisa ser acompanhado e revertido para que a pessoa possa super\u00e1-lo, abra\u00e7ando-o e integrando uma nova maneira de viver o que a est\u00e1 afetando. \u00c9 importante cuidar da pessoa para que ela n\u00e3o prejudique a si mesma ou a outros nesses momentos. Esses casos se resolvem em poucas horas. N\u00e3o h\u00e1 casos relatados de psicose cr\u00f4nica devido \u00e0 ayahuasca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns efeitos colaterais foram relatados ap\u00f3s a administra\u00e7\u00e3o da ayahuasca em ambientes laboratoriais, embora esses tenham sido sempre casos isolados e isolados, que desapareceram sem a necessidade de interven\u00e7\u00e3o (Riba e Barbanoj, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns casos de ocorr\u00eancia de efeitos psiqui\u00e1tricos tamb\u00e9m foram documentados em contextos de uso ritual, embora sua ocorr\u00eancia seja rara (Lima e T\u00f3foli, 2011; dos Santos e Strassman, 2011) e abaixo da preval\u00eancia de ocorr\u00eancia de problemas psiqui\u00e1tricos na popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De qualquer forma, isso sugere que a ayahuasca, em princ\u00edpio, \u00e9 contraindicada para pessoas com dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos, especialmente para aqueles indiv\u00edduos propensos \u00e0 psicose\u00bb.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A AYAHUASCA DESTR\u00d3I OS NEUR\u00d4NIOS?<br>OU PRODUZ NEUROG\u00caNESE, NEUROPROTE\u00c7\u00c3O E NEUROPLASTICIDADE NO C\u00c9REBRO?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abNesse sentido, foram realizadas as seguintes a\u00e7\u00f5es<br>V\u00e1rios estudos avaliaram as poss\u00edveis propriedades neuroprotetoras dos constituintes da ayahuasca in vitro. Em um desses estudos, a harmina induziu a prolifera\u00e7\u00e3o em c\u00e9lulas-tronco neurais humanas (Dakic et al., 2016) e, em outro estudo, a harmina, a harmalina e a<br>tetrahidroharmina, os tr\u00eas principais constituintes do B. caapi, demonstraram estimular a<br>neurog\u00eanese adulta (Morales-Garc\u00eda et al., 2017). De fato, no final da d\u00e9cada de 1920, tanto Louis Lewin quanto Kurt Beringer j\u00e1 se referiam aos efeitos promissores da harmina para a<br>tratamento da doen\u00e7a de Parkinson (DP) e, recentemente, a fun\u00e7\u00e3o potencial do B. caapi no tratamento da DP e de outras doen\u00e7as neurodegenerativas est\u00e1 sendo analisada.<br>(Djamshidian et al., 2015; Fisher et al., 2018). Al\u00e9m disso, dois estudos independentes tamb\u00e9m demonstraram que a DMT produz neurog\u00eanese e neuroprote\u00e7\u00e3o tanto em culturas de c\u00e9lulas (Berthoux et al., 2019) quanto em animais (Morales-Garc\u00eda et al., 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo, a ayahuasca<br>est\u00e1 mostrando resultados promissores n\u00e3o apenas para o tratamento de condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m para atuar como neuroprotetor e promover a neurog\u00eanese\u00bb.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>J\u00c1 HOUVE PESSOAS QUE MORRERAM POR TOMAR AYAHUASCA?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abCom base nas informa\u00e7\u00f5es publicadas e, em alguns casos, complementadas com<br>Com base em entrevistas e documentos n\u00e3o publicados, \u00e9 poss\u00edvel formular hip\u00f3teses aceit\u00e1veis para a maioria dos 58 casos encontrados. Vale ressaltar que, at\u00e9 o momento, nenhuma an\u00e1lise toxicol\u00f3gica ou exame forense determinou que o consumo de ayahuasca causou a morte por intoxica\u00e7\u00e3o aguda. \u00ab<br>(Carlos Su\u00e1rez \u00c1lvarez, 2023)<br>Relat\u00f3rio completo :https:\/\/www.iceers.org\/es\/examinando-muertes-ayahuasca\/)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A AYAHUASCA \u00c9 UM PERIGO PARA A SA\u00daDE P\u00daBLICA OU SEUS USOS M\u00c9DICOS E N\u00c3O M\u00c9DICOS PODEM SER INTEGRADOS EM NOSSAS SOCIEDADES OCIDENTAIS?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abEm um estudo recente na Espanha (O\u00f1a et al., 2019), 380 participantes regulares de cerim\u00f4nias de ayahuasca foram entrevistados pessoalmente usando indicadores de sa\u00fade p\u00fablica, juntamente com indicadores de la\u00e7os comunit\u00e1rios, estrat\u00e9gias de enfrentamento do estresse, valores e bem-estar psicossocial. Os resultados foram comparados com dados normativos da popula\u00e7\u00e3o espanhola em geral. O uso regular de ayahuasca foi associado a uma maior percep\u00e7\u00e3o positiva da sa\u00fade e a um estilo de vida saud\u00e1vel, entre outros resultados. 56% da amostra relataram ter reduzido o uso de medicamentos prescritos desde que come\u00e7aram a participar de cerim\u00f4nias de ayahuasca. Os participantes que usaram a ayahuasca mais de 100 vezes obtiveram pontua\u00e7\u00e3o mais alta em medidas de valores pessoais. A principal conclus\u00e3o desse estudo sugere que um uso respeitoso e controlado da ayahuasca<br>realizadas em ambientes comunit\u00e1rios podem ser incorporadas \u00e0 sociedade moderna com benef\u00edcios para a sa\u00fade p\u00fablica.<br>Essa nova abordagem, baseada no uso de indicadores de sa\u00fade que n\u00e3o foram usados em estudos anteriores sobre a ayahuasca, fornece informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre o impacto da exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 ayahuasca na sa\u00fade p\u00fablica\u00bb.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">-Informa\u00e7\u00f5es obtidas do relat\u00f3rio t\u00e9cnico do ICEERS publicado em 2021 e assinado por 12 PhDs e apoiado por uma literatura m\u00e9dica e cient\u00edfica robusta:<br>https:\/\/www.iceers.org\/es\/informe-tecnico-sobre-ayahuasca\/perfil-seguridad-ayahuasca\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>-\u00bfES T\u00d3XICA LA AYAHUASCA? \u00abQue la ayahuasca sea una sustancia psicoactiva no implica que las dosis que se ingieren habitualmente en los rituales sean dosis que produzcan toxicidad org\u00e1nica ni cerebral. 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