{"id":134,"date":"2026-01-08T13:16:54","date_gmt":"2026-01-08T13:16:54","guid":{"rendered":"http:\/\/tdi_76_6be"},"modified":"2026-01-12T09:40:22","modified_gmt":"2026-01-12T09:40:22","slug":"estudio-universidad-brasil-ayahuasca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayahuascanews.org\/pt\/estudio-universidad-brasil-ayahuasca\/","title":{"rendered":"Estudo de universidade brasileira mostra que a harmina da ayahuasca interrompe o crescimento de tumores em alguns tipos de c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00abA ci\u00eancia est\u00e1 come\u00e7ando a estudar seriamente os alcaloides do yag\u00e9. Entre eles, a harmina mostra efeitos promissores em laborat\u00f3rio: apoptose, bloqueio de tumores, regula\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em tempos em que a ind\u00fastria farmac\u00eautica e a imagina\u00e7\u00e3o espiritual competem para oferecer solu\u00e7\u00f5es milagrosas, a palavra \u201ccura\u201d deve ser usada com extrema cautela. <a><\/a>Especialmente quando se trata de c\u00e2ncer. Nesse contexto, a harmina - um dos alcaloides presentes na Banisteriopsis caapi, o principal componente da tradicional mistura amaz\u00f4nica - chamou a aten\u00e7\u00e3o da pesquisa biom\u00e9dica moderna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que a ci\u00eancia realmente diz, e existe uma base para considerar a harmina como um agente antitumoral, ou \u00e9 apenas mais uma promessa inflada pelo entusiasmo psicod\u00e9lico? Este artigo procura responder com base em evid\u00eancias, n\u00e3o em esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que \u00e9 harmina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A harmina \u00e9 um alcaloide \u03b2-carbolina com a capacidade de inibir enzimas como a monoamina oxidase-A (MAO-A), o que explica parte de seu papel como inibidor revers\u00edvel no contexto da ingest\u00e3o de DMT. Entretanto, seu perfil farmacol\u00f3gico \u00e9 mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos recentes revelaram que a harmina pode interferir em processos celulares importantes, como a prolifera\u00e7\u00e3o celular, a angiog\u00eanese e o reparo do DNA. Em termos oncol\u00f3gicos, isso a torna uma mol\u00e9cula interessante, embora ainda esteja longe de ser considerada terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evid\u00eancias pr\u00e9-cl\u00ednicas: O que os estudos mostram?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um excelente artigo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, Brasil) avaliou os efeitos da harmina em linhagens de c\u00e9lulas de c\u00e2ncer de mama (MCF-7) e modelos animais. Os resultados foram significativos: inibi\u00e7\u00e3o do crescimento do tumor em 31%, aumento da sobrevida dos animais tratados e redu\u00e7\u00e3o da angiog\u00eanese em 42%. A dose usada foi de 20 mg\/kg\/dia por via intraperitoneal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro estudo, publicado na Pharmacognosy Magazine, mostrou que a harmina induz a apoptose em c\u00e9lulas de melanoma (B16F-10) e hepatocarcinoma (HepG2), associada ao estresse oxidativo, \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do DNA e \u00e0 parada do ciclo celular na fase G2\/M (PMID: 26834491).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mecanismo de a\u00e7\u00e3o parece envolver a inibi\u00e7\u00e3o da quinase DYRK1A - envolvida na prolifera\u00e7\u00e3o celular - e a regula\u00e7\u00e3o negativa da PARP1, uma enzima essencial para o reparo do DNA danificado. Por sua vez, estudos em linhas de leucemia humana (HL60) confirmam sua capacidade de reduzir a viabilidade celular por mecanismos mitocondriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Milagre vegetal ou ferramenta farmacol\u00f3gica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse ponto que se deve ter cautela. Todos os estudos mencionados foram realizados in vitro ou em modelos animais. N\u00e3o h\u00e1 estudos cl\u00ednicos em humanos que apoiem o uso da harmina como tratamento de c\u00e2ncer. Al\u00e9m disso, alguns estudos alertam para seu potencial genot\u00f3xico em determinadas doses, o que implica s\u00e9rios riscos se seu uso for extrapolado sem controle.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como qualquer composto bioativo, a harmina n\u00e3o \u00e9 \u201cboa\u201d nem \u201cruim\u201d por si s\u00f3: sua utilidade depender\u00e1 do contexto, da dose, da via de administra\u00e7\u00e3o, da intera\u00e7\u00e3o com outros compostos e, principalmente, do tipo de c\u00e2ncer em quest\u00e3o. Qualquer alega\u00e7\u00e3o que sugira que \u00aba ayahuasca cura o c\u00e2ncer\u00bb n\u00e3o \u00e9 apenas irrespons\u00e1vel, mas tamb\u00e9m perigosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ele pode ter uma fun\u00e7\u00e3o adjuvante?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Possivelmente. As pesquisas est\u00e3o progredindo para o desenvolvimento de derivados sint\u00e9ticos de \u03b2-carbolinas com propriedades mais seletivas e menor toxicidade. Alguns grupos experimentais est\u00e3o avaliando a harmina como adjuvante na quimioterapia por seu potencial de sensibilizar as c\u00e9lulas tumorais resistentes ao tratamento convencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua a\u00e7\u00e3o na via PI3K\/Akt, um fator-chave na resist\u00eancia a medicamentos, e sua capacidade de atuar como modulador epigen\u00e9tico tamb\u00e9m est\u00e3o sendo discutidas. No entanto, tudo isso ainda est\u00e1 em fase experimental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O risco de apropria\u00e7\u00e3o espiritualista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos discursos \u201cneo-xam\u00e2nicos\u201d e de autoajuda j\u00e1 circulam nas redes sociais sugerindo que a harmina, por estar presente na \u201cmedicina ancestral\u201d, teria uma sabedoria inata para curar o c\u00e2ncer. Tais argumentos, al\u00e9m de pseudocient\u00edficos, s\u00e3o eticamente question\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Casa Hoaska, n\u00f3s nos posicionamos a partir de uma espiritualidade cr\u00edtica, em que a experi\u00eancia sagrada n\u00e3o deve substituir o rigor da ci\u00eancia m\u00e9dica. Acompanhamos processos de profunda transforma\u00e7\u00e3o, mas nunca prometemos curas ou substitu\u00edmos o tratamento m\u00e9dico convencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conclus\u00e3o: o que sabemos e o que n\u00e3o sabemos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A harmina tem um perfil farmacol\u00f3gico interessante, com v\u00e1rios mecanismos de a\u00e7\u00e3o que poderiam ser explorados na oncologia. Entretanto, no estado atual das evid\u00eancias, ele n\u00e3o pode ser considerado uma cura ou um tratamento alternativo. No entanto, ela pode motivar a pesquisa e o desenvolvimento de novas terapias baseadas em compostos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas a vida da pessoa que sofre de c\u00e2ncer, mas tamb\u00e9m a credibilidade daqueles de n\u00f3s que trabalham com plantas sagradas. E essa credibilidade s\u00f3 pode ser mantida se falarmos a verdade, mesmo que n\u00e3o seja conveniente.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado originalmente por Gustavo Bergoglio em Iguazu Ayahuasca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Principais refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Souza, E.M. et al. (2023). Avalia\u00e7\u00e3o antitumoral da harmina em modelos murinos de c\u00e2ncer de mama. UFSC, Brasil. Reposit\u00f3rio da UFSC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chao et al. (2015). \u201cA harmina induz a apoptose por meio da via mitocondrial em c\u00e9lulas de hepatoma humano.\u201d Pharmacognosy Magazine. PMID: 26834491<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arnaiz et al. (2022). \u201cBeta-carbolines in cancer research: from ethnobotany to experimental therapeutics.\u201d Fronteiras em Farmacologia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1068\" src=\"https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-47\" srcset=\"https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1.jpg 1600w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-629x420.jpg 629w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-150x100.jpg 150w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-696x465.jpg 696w, https:\/\/www.ayahuascanews.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/p1-1068x713.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Movimentos recentes liderados por grupos ambientais trouxeram a situa\u00e7\u00e3o dessas florestas para o centro das aten\u00e7\u00f5es. Essas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o trabalhando incansavelmente para criar \u00abescudos verdes\u00bb em torno dessas \u00e1reas - medidas de prote\u00e7\u00e3o que incluem a\u00e7\u00f5es legais, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica e pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de extra\u00e7\u00e3o de madeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colabora\u00e7\u00e3o com comunidades locais e grupos ind\u00edgenas \u00e9 fundamental para esse esfor\u00e7o. Essas comunidades t\u00eam uma conex\u00e3o profunda, muitas vezes secular, com as florestas. Seus conhecimentos e perspectivas s\u00e3o vitais para a elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A iniciativa \u00abGreen Shield\u00bb n\u00e3o se trata apenas de interromper a extra\u00e7\u00e3o de madeira. Trata-se de encontrar um equil\u00edbrio em que as necessidades econ\u00f4micas da regi\u00e3o possam ser atendidas sem sacrificar esses ecossistemas insubstitu\u00edveis. Pr\u00e1ticas florestais sustent\u00e1veis, ecoturismo e outras abordagens inovadoras est\u00e3o sendo exploradas como alternativas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireira tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que enfrentamos os desafios crescentes da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a prote\u00e7\u00e3o de florestas antigas \u00e9 mais crucial do que nunca. Elas n\u00e3o s\u00e3o apenas basti\u00f5es da biodiversidade, mas tamb\u00e9m s\u00edmbolos de nosso compromisso com uma rela\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel com nosso planeta.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abLa ciencia empieza a estudiar en serio los alcaloides del yag\u00e9. 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